Desilusão, Resiliência
  Postado em 28/07/2016
 

Atualmente vivemos em um ambiente onde o acúmulo de bens materiais parece significar cada vez mais a chave para a felicidade. Pessoas estão dispostas a se expor ao ridículo em busca de fama e sucesso. Metas e mais metas são colocadas como planejamento pessoal sem ao menos um discernimento da viabilidade desses projetos. Cursos e mais cursos circulam nesse mercado prometendo a “chave da prosperidade”. A excelência profissional e pessoal é talvez a “bola da vez”. Até algumas religiões entraram nesse lucrativo “nicho de mercado”. Para quem conhece um pouco de filosofia deve saber que uma das perguntas: “o que é preciso acontecer na vida para você ser feliz” já remonta de muitos séculos. Aristóteles em 350 antes de Cristo já dizia “ o que você deveria buscar desde o seu nascimento é a excelência de si mesmo”, essa seria a chave da felicidade. Aristóteles morreu, muitos outros e novas ideias surgiram, o Evangelho de Jesus Cristo foi pregado demonstrando outras perspectivas de felicidade e satisfação plena mas ainda vivemos atrelados à melhoria de performance à moda Aristóteles.

Ao acordar fazemos planos, organizamos nosso dia e talvez o nosso mês (ou quem sabe o ano) mas o certo é que não teremos a plena certeza que esses fatos vão acontecer. De repente, algo inusitado acontece. Pode ser uma perda de emprego, uma doença ou mesmo um fim de um relacionamento. E aí? Como você fica? E os treinamentos de “alta performance” que você fez? E os investimentos que você fez para se tornar esse “super-humano em inteligência emocional”? Você simplesmente “desaba” emocionalmente, finge que está tudo bem ou desacredita do (s) curso (s) que fez.

Nunca aconteceu isso com você? Se não aconteceu, não se preocupe, um dia acontecerá.

O curioso é que nessa hora sempre aparece alguém para te oferecer um “outro treinamento mais completo” ou tentar te filiar à uma religião ou seita milagrosa (muito comum nesses dias).

O importante é entender que existem 8 coisas que nunca poderemos mudar: 1)Tudo muda e termina; 2) As coisas nem sempre saem de acordo com os nossos planos; 3) A vida nem sempre é justa; 4) A dor faz parte da vida; 5) As pessoas não são amorosas e leais o tempo todo; 6) Grande parte dos relacionamentos são puro interesse; 7) Seus verdadeiros amigos não são todos aqueles que estão no seu Facebook; 8) Quem te ama de verdade vai ficar ao teu lado em qualquer circunstância da vida. Conhecendo esses princípios e pelo menos tentando aplicar no seu dia a dia (e não se iludindo com fórmulas mágicas para a felicidade e melhoria de performance) você consegue um maior poder de resiliência. Mas acredite: não é tarefa fácil.

Mas o que seria Resiliência? Seguem abaixo explicações mais abrangentes com citações.

A resiliência é um aspecto psicológico, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse etc. - sem entrar em surto psicológico. No entanto, Job (2003), que estudou a resiliência em organizações, argumenta que a ela se trata de uma tomada de decisão quando alguém depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, em 2006 Barbosa propôs que se pode considerar a resiliência como uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades.

A resiliência não é um traço de quatro rodas, embora características pessoais possam contribuir para uma adaptação positiva a adversidades (Masten, 2014). A resiliência de um indivíduo dependerá da interação de sistemas adaptativos complexos, como o círculo social, família, cultura, entre outros. Alguns pesquisadores concordam que a resiliência pode se apresentar ou não em vários domínios da vida de uma pessoa (saúde, trabalho, etc.) e variar ao longo do tempo (Southwick et al, 2014).

Citações:

BARBOSA, George. S. Resiliência em professores do ensino fundamental de 5ª a 8ª Série: Validação e aplicação do questionário do índice de Resiliência: Adultos Reivich-Shatté/Barbosa. Tese (Doutorado em Psicologia Clínica). São Paulo: Pontifica Universidade Católica, 2006.


JOB, F. P.P. Os sentidos do trabalho e a importância da resiliência nas organizações. Tese (Doutorado em Administração de Empresas). São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, 2003.

• Masten, A. S. (2014). Global Perspectives on Resilience in Children and Youth. Child Development, 85(1), 6-20.

Southwick, S. M., Bonanno, G. A., Masten, A. S., Panter-Brick, C., & Yehuda, R. (2014). Resilience definitions, theory and challeges: interdisciplinary perspectives. European Journal of Psychotraumatology, 5, 1-14.

Texto sobre Resiliência extraído em 27/07/2016 em:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Resiliência_(psicologia)

 

Compartilhe este Artigo